Porto Seguro (BA) — Apesar de ser um dos principais destinos turísticos do Brasil, Porto Seguro enfrenta um problema básico e estrutural na organização do trânsito. A cidade não possui nenhum semáforo instalado e sofre com a falta quase total de placas de identificação de ruas, orientações de direção e sinalização de preferência. A circulação de veículos acontece, na prática, sem regras claras.
A ausência de dispositivos de controle faz com que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres convivam diariamente com situações de risco. Nos cruzamentos, a regra que prevalece é informal: quem chega primeiro, avança. Em horários de movimento, a disputa por espaço se intensifica e a fluidez depende da experiência e da improvisação dos condutores.
Sem referência e sem orientação
Nas vias principais e nos bairros, é comum não haver qualquer placa indicando:
- O nome da rua ou avenida
- A direção correta para seguir
- O acesso a bairros e praias
- Preferência de passagem
Sem orientação visual, moradores e visitantes trafegam “às cegas”, muitas vezes guiando-se apenas pela memória ou pela tentativa e erro.
“É difícil até explicar uma localização pelo telefone. A gente precisa dizer: vira depois do mercado, sobe depois da igreja… porque placa mesmo não existe”, comenta um comerciante do centro.
Risco diário para pedestres
A falta de faixas de pedestres também expõe quem circula a pé. Travessias em avenidas movimentadas se tornam perigosas, especialmente em horários de maior fluxo, quando carros e motos passam ao mesmo tempo sem redução de velocidade.
Turismo prejudicado
Guia turísticos relatam que visitantes frequentemente se perdem ao tentar chegar a praias, pontos históricos ou pousadas. Sem placas, até motoristas de aplicativos têm dificuldade de orientação.
Especialistas em mobilidade apontam que a sinalização urbana é parte fundamental da experiência turística, especialmente em cidades de grande visitação — o que torna a situação ainda mais contraditória.
População cobra prioridade
Moradores e comerciantes destacam que organizar o trânsito não é uma medida complexa ou de alto custo, mas uma ação básica e urgente para garantir segurança, fluidez e acolhimento ao turista.
Entre as soluções cobradas estão:
- Instalação de semáforos em pontos estratégicos
- Implantação de placas de identificação de ruas
- Indicação de preferência e sentidos de via
- Marcação de faixas de pedestres e áreas de travessia segura
Até que essas medidas sejam adotadas, Porto Seguro continuará operando um trânsito baseado no improviso, distante do padrão esperado para uma cidade turística de referência nacional.

